sábado, 18 de fevereiro de 2012

Quadragésimo primeiro

São crianças! Crianças que brincam com barcos de papel, bonecas e cordas. Crianças que sorriem e choram. Crianças que percorrem milhas com as suas bicicletas velhas, usadas, sujas, partidas. A desculpa é sempre a mesma. "Não mãe, está boa!". Crianças que fingem ou falarão a verdade? Os rostos cobertos de terra, denunciam. Mil e uma árvores marcadas, estradas escritas, paredes pintadas e. . . em vão. Afugentam as pombas que vêm roubar os pedaços de pão que caem das mãos deles. Correm campos de ervas apenas por correr. Sem objectivo, sem sentido, apenas, talvez, prazer. Brincam "aos crescidos", tentando imitar alguém que não são. Esforçam-se, pois querem convencer os amigos que são outras pessoas, diferentes deles, uma farsa. No fim, um banho limpa todas as marcas do dia. Nada se passou, nada mudou, nada estragou. Dormem. Amanhã é um novo dia, novas brincadeiras, novas experiências, sem arrependimentos.

São mesmo? Ou Somos?

Se fosse como nos filmes, o físico andava de mão dada com o psicológico, sempre!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Quadragésimo

É, é estranha a forma de amar. É estranho como o amor passa a ódio. Como é que os opostos conseguem se aproximar tão facilmente? Não há conversa. A presença começa a tornar-se estranha, ou melhor, indiferente, daí, estranha. Distância! Essa maldita que me dá sempre o gosto de mostrar uma lágrima. Ora de prazer, ora de sofrer.
Despertaste qualquer coisa. Mas mudou. Oh, se mudou. Crescemos todos. Conversas sérias, actos correctos. Agora? Pequenas coisas de criança que amua. Pequenas? Fecha os olhos e sorri. Claro!


Se fosse como nos filmes, o "para sempre" era, de facto, até ao fim. Sorri, continua.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Trigésimo nono

Pega num copo! Sim, pega lá nele. Toca nele, sente a sua textura, descobre a sua origem. Olha para ele, vê-te nele, ri-te, faz caretas. Agora levanta-o acima da tua cabeça. Eleva-lhe o ego. Fá-lo sentir único. Como se fosse o único copo desejado, o único capaz de te realizar. Já está? Pronto, deixa-o cair. Sem receio, sem pensar. Como se ele nunca te tivesse matado a sede, como se ele nunca estivesse lá quando precisasses. O estrondo quebra a conversa. Partiu. Vê bem como ele está. Tens noção como está em pedaços, espalhados pelo chão. Não te acanhes agora. Calca. Sente o estalido de cada fragmento. Agora pede desculpas. Pede desculpas e vê se ele cola!


Se fosse como nos filmes, a cola evitava-se, palavras continuavam e acções mantinham-se!